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‘Diálogos com a Capes’ debate a importância da ciência em promover impactos e transformações sociais

Encontro contou com o diretor de Avaliação, Antônio Gomes Souza Filho, que também destacou o crescimento da pós nas últimas décadas

Valorizar o papel da ciência como agente promotor de impactos e transformações sociais, gerando efetivos avanços às pessoas nos mais diversos segmentos. Este foi o mote da participação de Antônio Gomes de Souza Filho, diretor de Avaliação da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), ligada ao Ministério da Educação, no evento “Diálogos com a Capes”. Organizado pela Pró-Reitoria de Pós-Graduação da Unicamp na manhã de quinta-feira (26), o encontro voltado para coordenadores de programa de pós-graduação e membros da Comissão Central de Pós-Graduação aconteceu no auditório do Instituto de Geociências.

A direita diretor de Avaliação da Capes Antônio Gomes de Souza Filho ao lado da Profª Drª Claudia Vianna Maurer-Morelli, pró-reitora de pós-graduação da Unicamp abrindo o evento. A direita presentes no evento na platéia
O encontro contou com perguntas enviadas pelos coordenadores dos programas de pós

O momento foi encarado como estratégico para discutir os rumos da avaliação dos programas, métricas de impacto e o futuro da pós-graduação na instituição. Na abertura, a organização destacou a relevância do momento para a comunidade acadêmica, enfatizando a oportunidade de diálogo direto com a Capes sobre critérios de avaliação, desafios institucionais e caminhos para o fortalecimento da formação de mestres e doutores. Também foram ressaltadas as dúvidas recorrentes entre programas de pós-graduação, especialmente sobre como alinhar inovação acadêmica, impacto territorial e exigências avaliativas.

O encontro foi estruturado a partir de perguntas previamente enviadas por coordenadores de programas, com o objetivo de ampliar o debate coletivo e abordar questões comuns a diferentes áreas do conhecimento.

Com um vasto currículo acadêmico, tendo uma passagem como pesquisador convidado na Unicamp entre 2009 e 2010, Souza Filho apresentou um panorama do sistema de avaliação da pós-graduação brasileira, destacando que as mudanças previstas para o ciclo 2025-2028 serão “incrementais” e não disruptivas. “O sistema de avaliação da Capes é sólido, mas ainda enfrenta desafios para avançar na velocidade necessária diante das transformações da ciência e da sociedade”, afirmou.

Um ponto enfatizado foi o crescimento expressivo da pós-graduação brasileira nas últimas décadas. De 167 programas concentrados em 23 municípios há 50 anos, o Brasil passou a contar com aproximadamente 5 mil programas distribuídos em mais de 350 cidades. Atualmente, o sistema envolve cerca de 520 mil pessoas, entre docentes, estudantes e pesquisadores.

Esse processo de expansão, segundo o diretor da Capes, foi sustentado por três pilares fundamentais: planejamento, financiamento e avaliação. Souza Filho também destacou políticas públicas que contribuíram para a descentralização da ciência no país, como a criação de universidades federais e o fortalecimento das fundações estaduais de amparo à pesquisa. Como resultado, houve uma mudança significativa na geografia da produção científica. Se antes a maior parte das pesquisas estava concentrada no eixo Rio-São Paulo, hoje a produção se distribui de forma mais equilibrada entre os estados brasileiros. “O Brasil conseguiu, em cerca de duas décadas, descentralizar a geração de conhecimento e formar pesquisadores em diferentes territórios, o que representa um avanço expressivo”, destacou o diretor.

O reitor Paulo Cesar Montangner (à esquerda), o diretor de Avaliação da Capes, Antônio Gomes Souza Filho e a pró-reitora de Pós Graduação, Cláudia Morelli
O reitor Paulo Cesar Montangner (à esquerda), o diretor de Avaliação da Capes, Antônio Gomes Souza Filho e a pró-reitora de Pós Graduação, Cláudia Morelli

Relevância

Apesar dos avanços, o representante da Capes alertou para desafios persistentes, como a necessidade de maior estabilidade no financiamento da ciência e o fortalecimento da relevância internacional da produção científica brasileira. Ele também chamou atenção para uma tendência global: o crescimento da produção científica em países de renda média e baixa, o que redefine o cenário internacional e abre novas oportunidades de colaboração – especialmente com países da Ásia e da América Latina.

Outro destaque foi a valorização do impacto social da pesquisa e da conexão com os territórios, tema que deve ganhar mais peso no próximo ciclo avaliativo. Segundo o diretor, a pós-graduação precisa contribuir não apenas para a produção científica, mas também para a solução de problemas locais e nacionais. “O conhecimento precisa dialogar com a realidade do país. Em muitos casos, só nós podemos responder aos nossos próprios desafios”, opinou Souza Filho.

O encontro reforçou a importância de um diálogo contínuo entre a Capes e as instituições de ensino superior, em um momento de reflexão sobre o papel da pós-graduação na formação de recursos humanos e no desenvolvimento científico e social do Brasil.

Sociedade

A busca por qualidade e impacto na produção científica tem ganhado centralidade no debate acadêmico brasileiro, especialmente no contexto das mudanças recentes nos critérios de avaliação da pós-graduação. O diretor apontou ainda que o sistema, antes fortemente orientado pela quantidade de publicações, passa por uma inflexão em direção à valorização de resultados mais relevantes e com maior contribuição para a sociedade.

De acordo com a análise apresentada por Souza Filho, a produção científica nacional já atingiu um patamar elevado em termos de volume. O desafio atual, portanto, não é produzir mais, mas produzir melhor. Nesse cenário, algumas áreas adotaram medidas consideradas ousadas, como a limitação do número de trabalhos que cada docente pode indicar para avaliação – mesmo que sua produção total seja significativamente maior. A estratégia busca destacar pesquisas de maior qualidade, em vez de considerar o conjunto completo de publicações.

Um ponto enfatizado durante encontro foi o crescimento expressivo da pós-graduação brasileira nas últimas décadas
Um ponto enfatizado durante encontro foi o crescimento expressivo da pós-graduação brasileira nas últimas décadas

Periódicos científicos

A expansão acelerada de periódicos científicos também levanta preocupações, tendo sido abordada no encontro. Práticas editoriais questionáveis e a pressão crescente sobre pesquisadores, especialmente em início de carreira, para publicar a qualquer custo, foram mencionadas como exemplos. O cenário tem levado à proliferação de artigos repetitivos ou com baixo grau de inovação, o que compromete a qualidade geral da produção científica, de acordo com o diretor da Capes. “Nesse contexto, é necessário resgatar o sentido original da pesquisa: responder a perguntas relevantes e avançar o conhecimento, sem que a publicação seja o objetivo final em si”, comentou Souza Filho.

Para a pró-reitora de Pesquisa, Ana Frattini, foi muito pertinente a vinda do professor Antonio Gomes à Unicamp. “Os temas abordados e a sua visão sobre avaliação nos trouxeram clareza da importância da autonomia da universidade para encontrar o melhor caminho para seus programas de pós-graduação. Uma vez determinado o planejamento do programa, depois encontram-se os indicadores, e não vice-versa.”, destacou.

A Capes é uma fundação do Ministério da Educação (MEC). Sua principal função é financiar, avaliar e fomentar cursos de pós-graduação stricto sensu (mestrado e doutorado) no Brasil, além de conceder bolsas de estudo e capacitar professores para a educação básica.

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