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Pesquisa ligada a Unicamp avança em células solares de perovskita para ambientes internos

Conduzido no âmbito do Centro de Inovação em Novas Energias (CINE), projeto envolveu ainda colaboração internacional com pesquisadores da Itália.

Pesquisadoras vinculadas à Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) alcançaram um avanço significativo no desenvolvimento de células solares de perovskita capazes de converter luz artificial em eletricidade com alta eficiência. O estudo, conduzido no âmbito do Centro de Inovação em Novas Energias (CINE), envolve diretamente atividades de pesquisa em nível de pós-graduação e reforça o protagonismo da Unicamp na fronteira do conhecimento em energias renováveis.

O trabalho foi desenvolvido em colaboração com cientistas da Itália e resultou em dispositivos com desempenho próximo aos recordes internacionais para aplicações em ambientes internos, como residências, comércios e indústrias. A pesquisa tem potencial para viabilizar o fornecimento de energia limpa e renovável a equipamentos eletrônicos de baixa potência, reduzindo ou eliminando a necessidade de pilhas e baterias.

Três pesquisadores usando jalecos e luvas, posam em laboratório de pesquisa em energia solar. Ao centro, uma pesquisadora segura um dispositivo de célula solar de perovskita, com equipamentos científicos ao fundo.
Francineide Lopes de Araújo, pós-doutoranda no CINE, exibindo uma célula solar em laboratório da Università degli Studi di Roma Tor Vergata

Inovação científica com forte participação da pós-graduação

O estudo foi liderado por Francineide Lopes de Araújo, pós-doutoranda no CINE e professora colaboradora, com supervisão da professora titular Ana Flávia Nogueira, do Instituto de Química (IQ-Unicamp). A pesquisa integra atividades avançadas de formação em nível de pós-graduação e demonstra como a produção científica da Unicamp contribui diretamente para soluções tecnológicas de impacto econômico e social.

Publicado na revista científica Nano Energy, o trabalho apresenta um tratamento inovador da superfície das células solares de perovskita, capaz de superar um dos principais desafios da tecnologia fotovoltaica para interiores: a baixa luminosidade. Em condições típicas de iluminação artificial (entre 200 e 1.000 lux), os módulos desenvolvidos atingiram eficiência em torno de 34%, um valor considerado entre os mais elevados já reportados na literatura científica.

Tecnologia desenvolvida na Unicamp

A inovação consiste na deposição de uma mistura do sal orgânico phenethylammonium iodide (PEAI) com o aditivo 1,8-diiodooctane (DIO) sobre a camada ativa de perovskita. Esse processo leva à formação espontânea de uma camada bidimensional sobre a perovskita tridimensional, reduzindo defeitos superficiais e melhorando o transporte de carga elétrica.

Um diferencial importante da metodologia é o fato de o processo ocorrer à temperatura ambiente, sem a necessidade de tratamentos térmicos adicionais. Essa característica aumenta o potencial de escalabilidade industrial e reduz custos de fabricação, aspectos estratégicos para a futura aplicação comercial da tecnologia.

A estratégia foi aplicada com sucesso na fabricação de dispositivos em diferentes escalas, desde células solares de pequena área até módulos de até 121 cm², compostos por até 15 subcélulas conectadas em série.

Cooperação internacional e formação avançada

Parte da pesquisa foi realizada durante o estágio de pós-doutorado de Francineide Lopes de Araújo no Center for Hybrid and Organic Solar Energy (CHOSE), da Università degli Studi di Roma Tor Vergata, na Itália, entre 2022 e 2023, com apoio da FAPESP por meio de Bolsa Estágio de Pesquisa no Exterior (BEPE). A colaboração internacional foi fundamental para a realização de experimentos avançados e para a validação dos dispositivos desenvolvidos.

A orientação científica do trabalho foi compartilhada entre a professora Ana Flávia Nogueira, referência internacional na área de células solares emergentes e atual diretora do CINE, e o professor Aldo Di Carlo, fundador do CHOSE, um dos principais centros de pesquisa em fotovoltaicos de perovskita do mundo.

Impacto científico e institucional

Os resultados reforçam a relevância da pesquisa desenvolvida na pós-graduação da Unicamp e evidenciam a capacidade da instituição de liderar projetos estratégicos em parceria com centros internacionais de excelência. Além de ampliar o conhecimento científico sobre células solares de perovskita, o estudo contribui para aproximar essa tecnologia de aplicações comerciais, especialmente no crescente mercado de fotovoltaicos para ambientes internos, avaliado em cerca de US$ 1,2 trilhão.

A pesquisa contou com financiamento da FAPESP e da Shell, suporte estratégico da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), além de recursos de agências europeias.

O artigo científico intitulado Empowering perovskite modules for solar and indoor lighting applications by 1,8-diiodooctane/phenethylammonium iodide 2D perovskite passivation strategy está disponível na plataforma ScienceDirect.

A iniciativa reafirma o papel da pós-graduação da Unicamp na geração de conhecimento de alto impacto, na formação de pesquisadores altamente qualificados e no desenvolvimento de soluções inovadoras para os desafios energéticos contemporâneos.

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