Duas pesquisas desenvolvidas no Instituto de Economia (IE) da Unicamp conquistaram o primeiro lugar nas categorias Mestrado e Doutorado da 39ª edição do Prêmio BNDES de Economia, uma das principais premiações acadêmicas do país na área. O resultado foi anunciado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e a entrega dos prêmios ocorreu no dia 17 de dezembro, durante o 53º Encontro Nacional de Economia (Anpec 2025), realizado no Insper, em São Paulo.
Na categoria Mestrado, o primeiro lugar foi concedido à dissertação “O trabalho no tempo da financeirização“, de Lucas Prata Feres, defendida no IE/Unicamp, sob orientação dos professores Hugo Miguel Oliveira Rodrigues Dias e Alex Wilhans Antonio Palludeto. Já na categoria Doutorado, a vencedora foi a tese “Macroeconomia aberta no curto prazo e restrições externas: para além do trilema de política monetária“, de Nathalie Tellez Marins, também desenvolvida no Instituto, orientada pelas docentes Daniela Magalhães Prates e Rosângela Ballini.
A dissertação de Lucas Feres investiga os impactos da financeirização da economia sobre o mercado de trabalho, com foco no avanço de vínculos precários, na informalização e na dissociação crescente entre tempo de vida e tempo de trabalho. A pesquisa analisa como a centralidade do capital financeiro, da lógica acionária e da valorização via mercado financeiro tem reconfigurado profundamente as relações laborais no Brasil e em outros países.
Ao comentar o prêmio, Lucas Feres destacou a relevância do reconhecimento institucional em um momento de crise social e econômica. Atualmente, ele atua na área de impacto social da Fundação Estudar.

Na categoria Doutorado, a tese de Nathalie Marins propõe uma releitura crítica do debate sobre política monetária em economias abertas, questionando o chamado “trilema da política monetária”, segundo o qual países não podem combinar simultaneamente câmbio fixo, livre mobilidade de capitais e autonomia da política monetária. A autora argumenta que existe, sim, margem de manobra para a política monetária, mas que ela é condicionada pelas restrições externas, especialmente pela situação do balanço de pagamentos e pelos efeitos das decisões de juros sobre o câmbio e a percepção de risco.
Segundo a autora, a tese nasceu do interesse em compreender, em termos teóricos, os limites e possibilidades da política macroeconômica em economias financeiramente integradas. Ao receber o prêmio, Nathalie destacou o papel histórico do BNDES no estímulo à pesquisa econômica e ao desenvolvimento do país.
A 39ª edição do Prêmio BNDES de Economia contou com 94 trabalhos inscritos, sendo 63 dissertações de mestrado e 31 teses de doutorado, provenientes de 21 centros de pós-graduação de todo o Brasil. A avaliação foi conduzida por uma comissão examinadora composta por nove integrantes, incluindo cinco representantes do BNDES e quatro professoras externas, todas com titulação de doutorado.
Criado em 1977, o Prêmio BNDES de Economia é realizado anualmente e contempla pesquisas nas áreas de Economia Pura e Aplicada, sob enfoques nacional, regional ou setorial. A iniciativa tem como finalidade reconhecer teses de doutorado e dissertações de mestrado ainda não integralmente publicadas, além de incentivar a produção acadêmica voltada a temas econômicos relevantes. A 40ª edição da premiação já está com inscrições abertas.
