A Unicamp sediou, nesta quinta-feira (23), o primeiro encontro da Rede SustentNet, iniciativa que reúne universidades estaduais das cinco regiões do país com o objetivo de fortalecer a internacionalização da pós-graduação e promover a cooperação acadêmica em torno do tema da sustentabilidade e seus impactos nos territórios. Os representantes das instituições foram recebidos pela pró-reitora de pós-graduação, Cláudia Morelli, e pelo diretor executivo de Relações Internacionais, Rafael Dias. O reitor, Paulo Cesar Montagner, também participou do encontro.
Além da Unicamp, a Rede é composta pela Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc); Universidade do Estado do Amazonas (UEA); Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS), na Bahia; e Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat). Todas as instituições são consideradas estratégicas em seus estados de origem.
A reunião marcou o início – considerado o “marco zero” – de um projeto de cinco anos vinculado à iniciativa Capes Global, programa lançado pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes). A proposta busca ampliar a inserção internacional das universidades brasileiras ao mesmo tempo em que estimula a integração entre instituições com diferentes níveis de consolidação acadêmica.
“O Capes Global é muito importante, porque agrega as universidades em torno de um objetivo, no caso a internacionalização, e isso promove a integração e uma troca entre as instituições. Liderar um projeto desses não é apenas um orgulho, mas uma das missões da Unicamp”, afirmou o reitor. “Contribuir para o fortalecimento da formação de pesquisadores e cientistas no Brasil e ver talentos nascerem, além de apoiar a construção de uma juventude de liderança, é algo que devemos celebrar sempre”, acrescentou Montagner.
Com foco na sustentabilidade, a rede SustentNet articula pesquisas em áreas como cultura, justiça social, saúde, engenharias e biotecnologia, envolvendo um amplo conjunto de programas de pós-graduação. Apenas na Unicamp, por exemplo, 73 programas aderiram ao Capes Global; no total da Rede, são 117.

Segundo a pró-reitora de pós-graduação da Unicamp, Cláudia Morelli, a iniciativa aponta para uma “mudança de paradigma”
Integração
De acordo com Morelli, a iniciativa vai além da cooperação internacional ao priorizar também a integração nacional. A estratégia prevê a formação de redes entre universidades de diferentes regiões, promovendo a troca de experiências e o compartilhamento de competências. “A ideia é que instituições com maior nível de internacionalização impulsionem outras, criando um ambiente colaborativo”, destacou ela.
Para os integrantes da Rede, o programa representa uma mudança de paradigma. A internacionalização deixa de ser uma iniciativa individual – restrita a pesquisadores ou grupos específicos – e passa a ser tratada como política institucional. “Não é mais o pesquisador isolado com seu parceiro no exterior, mas a universidade inserida em uma rede estruturada”, explicou Morelli.
Além da articulação entre instituições brasileiras, o Capes Global também prevê a ampliação de oportunidades para estudantes e docentes, com incentivos à mobilidade acadêmica e ao acesso a centros de pesquisa internacionais. A expectativa é que essas experiências contribuam para a qualificação da formação e da produção científica no país.
Representantes das universidades participantes destacaram o caráter inovador do programa ao incluir instituições com diferentes níveis de avaliação da pós-graduação – desde programas emergentes até os mais consolidados. Assim, a medida busca reduzir desigualdades históricas no sistema acadêmico brasileiro.
Para o diretor executivo de Relações Internacionais da Unicamp, Rafael Dias, a proposta de internacionalização das universidades estaduais, concebida como uma política de longo prazo, é vista como uma oportunidade estratégica para ampliar a inserção global das instituições brasileiras ao mesmo tempo em que fortalece a cooperação entre elas. “O programa estimula tanto o desenvolvimento de parcerias internacionais quanto a articulação em redes nacionais, permitindo que universidades com diferentes características e expertises compartilhem conhecimentos e construam ações conjuntas. Essa diversidade regional e institucional favorece um aprendizado mútuo”, afirmou ele.
Visibilidade
O papel das universidades estaduais foi debatido durante o evento. “Embora representem cerca de 40% a 45% da graduação pública no país, essas instituições concentram aproximadamente 25% da pós-graduação. A criação de redes como a SustentNet é vista como uma estratégia para ampliar a visibilidade e a capacidade de desenvolvimento dessas universidades”, comentou Roberto Mubarak, pró-reitor de pesquisa e pós-graduação da UEA.
Sérgio Henrique Pezzin, pró-reitor de pesquisa da Udesc, reforçou que essa troca de experiências com outras instituições fortalece cada uma das instituições de modo geral. “A internacionalização sempre foi, pelo menos na maior parte das instituições, algo isolado. Portanto, a ideia de integração é importantíssima para começarmos a trabalhar juntos, como instituição e não apenas com um professor atuando isoladamente em um projeto”, disse.
