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Agência de Inovação da Universidade Estadual de Campinas (Inova Unicamp) concluiu, no primeiro semestre de 2026, a primeira edição da disciplina Trilha do Conhecimento e Inovação (IN001). A turma inaugural reuniu 53 alunos aprovados, vinculados à pós-graduação de mais de dez unidades da Unicamp e a cinco Grandes Centros de Pesquisa da Universidade, interessados em compreender o uso estratégico da propriedade intelectual (PI) como ferramenta de inovação, de geração de novas parcerias e de novos negócios. 

A disciplina foi criada em conjunto com a Pró-Reitoria de Pós-Graduação (PRPG) da Unicamp para facilitar a adesão dos programas da Unicamp ao Programa de Aprimoramento da Pós-Graduação (PAPG) da CAPES e da FAPESP, que exige a oferta de trilhas formadoras em inovação e empreendedorismo. De acordo com o professor Renato Lopes, diretor-executivo da Inova Unicamp e coordenador da nova disciplina, a Agência de Inovação e a PRPG decidiram assumir essa frente juntas para que os programas da Unicamp possam aderir ao PAPG  de forma mais estruturada, removendo a necessidade de cada programa criar sua própria trilha formadora. 

Inova unicamp

“Tivemos uma adesão muito expressiva na disciplina e os modelos de negócio apresentados na banca final surpreenderam pela maturidade. Muitos deles já estão prontos para ingressar na Incubadora de Empresas de Base Tecnológica da Unicamp. Patentes podem ter surgido a partir das discussões e do desenvolvimento desses projetos. Foi uma experiência muito rica em que os alunos, de fato, abraçaram essa oportunidade”, avalia o professor. 

Para a professora Cláudia Vianna Maurer Morelli, Pró-Reitora de Pós-Graduação da Unicamp, a ampliação da disciplina IN001 – Trilhas do Conhecimento e da Inovação, resultado da parceria entre a Inova e a PRPG, representa um importante avanço na formação dos pós-graduandos da Universidade. 

“Além de integrar as ações do Programa de Aperfeiçoamento da Pós-Graduação (PAPG), a disciplina proporciona uma formação transversal, reunindo estudantes de diferentes programas e áreas de conhecimento em torno de temas da inovação.  Essa foi uma parceria que deu certo e esperamos ampliá-la.  Essa sinergia favoreceu a interdisciplinaridade, ampliou a troca de experiências e contribuiu para a formação de mestres e doutores mais preparados para atuar em um ambiente de pesquisa e inovação cada vez mais colaborativo e dinâmico”, resume Morelli.  

disciplina foi oferecida de forma optativa e integrada ao calendário oficial da Unicamp, aberta a todos os cursos de pós-graduação, com carga horária de 60 horas, divididas entre aulas presenciais e estudo dirigido. O encerramento foi marcado pela apresentação de pitches diante de uma banca final, momento em que os participantes demonstraram na prática os conhecimentos construídos ao longo do semestre.

O programa foi estruturado em quatro pilares. O primeiro apresentou os usos da PI em negócios de base tecnológica. O segundo abordou estratégias de proteção de ativos, busca de anterioridade e comunicação de invenção, com exercícios práticos. O terceiro explorou dinâmicas de negociação e a transformação de pesquisas em negócios por meio da comercialização de ativos. O quarto conduziu os participantes a um workshop de criação de startup, com aplicação do modelo Canvas e técnicas de apresentação de pitches.

Participantes destacam formação integrada 

Para quem participou, a experiência correspondeu às expectativas. Juan Fernando Galindo Jaramillo, em estágio de pós-doutorado em Gestão Executiva da Pesquisa, pelo o Programa de Pesquisador de Pós-Doutorado (PPPD), no Centro de Estudos de Energia e Petróleo (CEPETRO), destacou o caráter integrado do conteúdo. “É uma disciplina que foca em aspectos muito voltados para deeptech e para o empreendedorismo que nasce da pesquisa acadêmica, algo que, quando você vai buscar esse tipo de apoio para uma startup, é bem difícil de encontrar de forma tão completa e integrada”, afirma. 

A percepção foi compartilhada por Davi Pincinato, mestrando em Ciência da Computação, no Instituto de Computação (IC) da Unicamp, com foco em inteligência artificial, que decidiu retornar do mercado corporativo para a universidade. Para ele, a disciplina ofereceu uma base sólida para quem ainda não tem experiência no ecossistema de inovação. “A Inova sempre foi uma instituição que eu tinha curiosidade de conhecer. A experiência foi muito positiva no sentido de dar uma base sólida para tirar aquilo que está normalmente engavetado numa pesquisa e levar isso para uma aplicação real”, descreve.  

interdisciplinaridade também foi apontada como diferencial. Roberta Steganha, em estágio de pós-doutorado em Gestão da Pesquisa, pelo o Programa de Pesquisador de Pós-Doutorado (PPPD), no Centro de Pesquisa em Engenharia SMARTNESS, na área de educação e disseminação do conhecimento, ressaltou o valor do contato entre pesquisadores de diferentes áreas. “Eu conheci colegas da área farmacêutica, odontológica, da educação física, e todos trouxeram um olhar diferente e muito rico. Quando a gente começa a fazer pesquisa, muitas vezes fica muito fechado no próprio mundo. Aqui foi uma chance de subir no muro e enxergar de outra forma”, diz. 

“As impressões dos alunos mostram que a disciplina foi muito positiva, principalmente pelo conhecimento abordado e por ampliar a visão sobre inovação e aplicação prática da pesquisa que realizam. Outro ponto ressaltado por eles foi a transversalidade da disciplina que proporciona uma rica interação entre alunos de vários cursos”,  comenta Vera Crósta, assessora da diretoria da Inova Unicamp.

Para Lopes, o impacto da disciplina vai além da formação individual e aponta para um efeito estrutural na pós-graduação brasileira. “O empreendedorismo é um caminho importante para tornar a pós-graduação mais atrativa. Quando o pesquisador percebe que seu trabalho pode se tornar uma empresa, gerar uma solução sustentável, criar empregos e contribuir para o desenvolvimento do país, isso muda completamente a relação dele com a própria pesquisa. A Inova e a PRPG estão contribuindo diretamente para essa transformação”, afirma o diretor-executivo da Agência de Inovação da Unicamp. 

Disciplina expande resultados de parceria da Unicamp com o INPI

A criação da IN001 é a continuidade dos resultados de um acordo de cooperação técnica firmado entre a Unicamp e o Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) em 2022. A experiência acumulada com o programa Inova em Ação, cujas edições da Trilha do Conhecimento ocorreram em 2024 e em 2025, serviu como base para a consolidação da disciplina na grade oficial da pós-graduação. 

Unicamp é a universidade que mais deposita patentes no estado de São Paulo e a terceira maior depositante do país, segundo o INPI. Além disso, foi eleita a universidade mais empreendedora do Brasil pelo índice IESE 2025, elaborado pela Confederação Brasileira de Empresas Juniores.

A IN001 é a segunda disciplina conduzida diretamente pelo Núcleo de Inovação Tecnológica (NIT) da Unicamp e complementa a oferta da disciplina Propriedade Intelectual, Inovação e Empreendedorismo, ativa desde 2008. Juntas, as iniciativas reforçam o compromisso da Inova Unicamp com a formação de pesquisadores preparados para transformar conhecimento em soluções para a sociedade e para a indústria nacional, promovendo a inovação e o desenvolvimento social, econômico e ambiental.

Sobre a Inova Unicamp

A Agência de Inovação da Universidade Estadual de Campinas (Inova Unicamp) é o Núcleo de Inovação Tecnológica (NIT) da Unicamp e atende a todos os campi. Criada em 2003, a Agência apoia a proteção da propriedade intelectual, a transferência de tecnologia e a consolidação de convênios de pesquisa, desenvolvimento e inovação entre a Unicamp e o setor empresarial. A Inova Unicamp também é responsável pela gestão do Parque Científico e Tecnológico da Unicamp e da Incubadora de Empresas de Base Tecnológica (Incamp).

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